ECMShow 2013: TI estratégica

A Tecnologia da Informação passou por diversas fases e hoje deixa de ser simples tecnologia. O tempo em que TI era composta por profissionais excêntricos e que nunca conversavam a mesma língua das demais áreas da empresa, ficou para trás.

Já comentei, em um artigo passado, a respeito da nova postura que TI precisa adotar e, também, precisa ser aceita dentro das corporações. Estes profissionais não detém apenas o conhecimento técnico, como também está mais do que comprovada a importância de deterem o conhecimento das regras de negócios em um rico nível de detalhamento. Este é o papel do CIO moderno para que tenha condições de oferecer tudo o que a empresa necessita em tecnologia, alinhado com os prazos e custos provisionados pelas demais áreas.

Esta também é uma conclusão em que chegamos no último congresso de gestão da informação, o ECMShow 2013, realizado em São Paulo.

Mario Faria (Big Data Technical Advisor na Bill & Melinda Gates Foundation e é membro do MIT Data Science Initiative) chegou a afirmar que se a empresa trabalha seriamente com as informações, precisa separar TI da gestão de Dados, implantando o CDO (Chief Data Officer) realizando todo o trabalho de inteligência para catalogar e identificar todos os dados relevantes para a empresa.

Concordo, em parte, pois vai depender muito da área de atuação da empresa no mercado para justificar a implantação do CDO.

Debatendo este assunto percebemos que TI está completamente envolvida nas estratégias de negócios e, sendo assim, precisa amadurecer conceitos e técnicas. Particularmente, repudio o Backlog. É uma maneira covarde e arcaica que os gestores de TI e CIO encontraram para direcionar responsabilidades por fracassos a algo que não se pode discutir. Estou cansado de ouvir por empresas onde passei que “TI é assim mesmo”, quando que TI é apenas um reflexo da desorganização das demais áreas.

Se algo precisa ser feito para melhorar processos, aumentar produtividade, satisfazer o cliente ou qualquer outro negócio que torne a empresa melhor, então por que colocar em uma fila de espera?

Se é importante para a empresa, então que seja feito. Precisamos parar de usar desculpas como “minha equipe não tem condições”. Oras, mas por que não tem condições? É tecnicamente fraca? É competente, porém ineficiente para atender a demanda? Passa o tempo inteiro refazendo solicitações das áreas de negócios?

É simples detectar a fonte do problema e mais simples ainda sanar definitivamente. Se é tecnicamente fraca, recicle atualizando treinamentos ou substituindo.

Se é competente mas não consegue atender toda a demanda, então é hora de aumentar a equipe com terceiros (até encontrar o equilíbrio) e depois efetivar.

Se passam a maior parte do tempo refazendo solicitações das áreas de negócios, então é preciso refletir e certificar-se de que os Stakeholders tenham expertise no assunto para definir as regras com maior assertividade.

Enfim, é preciso arregaçar as mangas e envolver TI nos assuntos de negócios para que, juntos, tomem as melhores decisões para o bom andamento da empresa.

Outro ponto que o congresso chegou à conclusão, é que o tempo de inovação é de 5 anos, podendo diminuir para 3 anos, ou seja, tudo que você inovou na sua empresa, torna-se obsoleto em 5 anos e logo este ciclo cairá para 3 anos. Portanto, se as pessoas que definem estratégias de negócios não estiverem alinhadas com TI para que este ciclo esteja sempre atualizado, certamente a empresa ficará para trás a cada ano, até que não haja mais espaço no mercado para ela.

Gosto de citar como exemplo, o descuido da Nokia e da Microsoft. Subestimaram o mercado porque eram líderes e acabaram sendo atropeladas por empresas mais novas e que estavam muito aquém do que era esperado destas duas gigantes do segmento de tecnologia. Quando imaginariam que o Market share da Samsung superaria a Nokia na venda de smartphones? E que o Google fosse líder isolado em sistemas operacionais de smartphones, superando Symbian (Nokia), iOS (Apple) e Windows Mobile (Microsoft)? Este erro custou caro demais para a Nokia que se encontrou “quebrada” e acabou sendo absorvida pela Microsoft.

Então quero concluir este artigo muito satisfeito por saber que todo entendimento obtido durante estes mais de 15 anos em TI caminha junto com as conclusões de um dos maiores congressos em gestão da informação. Espero que os CIOs se conscientizem de que nossos clientes não são os funcionários da empresa, mas os clientes da própria empresa, ou seja, que estamos no mesmo time. Então, se estamos trabalhando do mesmo lado, nossos esforços devem ser direcionados para a mesma direção.

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