Poder na palma da mão

Este assunto vai dar o que falar. Não é segredo o fato de que as empresas, fabricantes de dispositivos móveis, entraram em uma competição sem limites para medir quem detém os dispositivos mais poderosos do mercado. Sempre entendemos que o consumidor é quem ganha com isso. Será?

Binômio Necessidade x Possibilidade

Este binômio muito conhecido entre os advogados pode representar o que está acontecendo no mercado de smartphones.

Quando chega o momento de comprar um smartphone é preciso tomar cuidado na escolha do dispositivo. São poucas as pessoas que realmente conhecem as características presentes nestes produtos e acabam se deixando seduzir pela propaganda mais atrativa ou pela oferta mais ousada. No final das contas, o consumidor é manipulado para alavancar um dado importante para o fabricante: o share.

Sony Xperia Z3: smartphone a prova d'água

Sony Xperia Z3: smartphone a prova d’água

Pessoas lindas e felizes, retratam profissionais absolutamente bem sucedidos tirando foto de peixinhos embaixo da água, fotografando esquiadores com roupas de LED no meio da noite e, por alguns instantes, a propaganda sequer passa a ideia de que se trata de um dispositivo feito para comunicação, pelo menos em sua funcionalidade principal. Os atrativos envolvendo câmeras impressionantes também roubam a cena e fazem com que o dispositivo tenha a função de “falar” como se fosse apenas mais um aplicativo entre os milhares existentes nas lojas. Aliás, a função “telefone” não passa, literalmente, de um aplicativo.

Falando em aplicativos, estes sim tornaram-se as estrelas da festa e, em muitos casos, vendem o smartphone para um público específico como principal argumento de venda do fabricante que veste a camisa de um Sistema Operacional. Por muito tempo testemunhamos este fato com aplicativos como Instagram e Games virais como Candy Crush dos estúdios King.

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Asphalt 8 Airbone para Windows Phone

Um aplicativo só existe para o Sistema Operacional X porque a empresa tem seus N motivos, que vão desde uma desconfiança em apostar na plataforma, predileção, acordo comercial ou até mesmo não simpatizar com o Sistema Operacional. Em outras palavras, os aplicativos passaram a dar as cartas no mercado de smartphones, deixando as plataformas em segundo lugar e os fabricantes em terceiro plano!

Voltando ao assunto do binômio, a necessidade de se adquirir dispositivos cada vez mais poderosos passou a imperar sobre a possibilidade de comprar. Hoje falamos em dispositivos com mais poder de processamento do que muitos desktops. Falamos em processadores octacore (oito núcleos de processamento) confinados em um chassi lacrado. Falamos em 3Gb de memória RAM como um padrão desejável e um SD Card de 128Gb é indispensável para fazer o consumidor sorrir. Tudo isso tem um custo alto (principalmente por estarmos no Brasil). Jogar nos smartphones títulos dignos dos melhores consoles tornou-se imperativo, mesmo que a pessoa não jogue. Os fabricantes ofereciam câmera principal de 5 megapixels e hoje trazem esta configuração para a câmera frontal somente para atender os “selfies maníacos” e alguns já reclamam que poderia ser de 8 megapixels! Agora eu pergunto: para quê?

Nokia Lumia 1020: conjunto Carl Zeiss com estabilização óptica de 41 megapixels PureView

Nokia Lumia 1020: conjunto Carl Zeiss com estabilização óptica de 41 megapixels PureView

Será que é uma necessidade? Quanto os consumidores realmente utilizam destes dispositivos? Não chegou a hora de investir em melhorar a estabilidade em vez de priorizar a performance desmedida? Estes smartphones chegam a temperaturas absurdas em míseros 5 minutos executando um aplicativo. Chassis de alumínio são necessários para dissipar rapidamente o calor mas esquecem que, em contato com o alumínio estão as mãos de alguém!

Quem está aplicando melhor o uso da tecnologia e obtendo o melhor custo-benefício é um assunto bem complexo e técnico que eu vou tratar em um artigo separado. Quem me conhece sabe das minhas preferências que são todas muito bem fundamentadas, até mesmo porque trabalhar nas três principais plataformas, permitiu abrir o ângulo de visão crítica mas o que eu quero deixar aqui é a reflexão a respeito de onde vamos chegar com tanto poder subutilizado na palma da mão. Claro que para amantes da tecnologia como eu sou, declaradamente, pouco importa. Para um hard user (usuário que consegue explorar todo potencial do dispositivo) faz todo sentido, mas será a realidade da maioria dos consumidores? O consumidor está disposto a pagar o alto preço da tecnologia, principalmente no país onde se pagam os maiores impostos do planeta?

 

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