Redução de velocidade nas Marginais

Mais uma proposta sem sentido é imposta ao paulistano pela Prefeitura. Com o pretexto mais escroto de diminuir a mortalidade nas Marginais Tietê e Pinheiros, os limites de velocidade foram reduzidos novamente. Será que esta é a solução? Sim, eu sei que este é um blog de tecnologia mas somos provedores de soluções e, antes de mais nada, somos cidadãos!

O cotidiano das Marginais em São Paulo

Marginal Tietê em 20/07/2015

Marginal Tietê em 20/07/2015

Quem frequenta, diariamente, as Marginais sabe muito bem o quanto é difícil viver momentos acima dos 50km/h. A realidade dos motoristas de automóveis é complicada, cercada de caminhões, abrindo corredores para motociclistas e preocupando-se com o horário do rodízio. Na verdade, a vida nas Marginais não é fácil para ninguém… nem para motoristas, motociclistas ou caminhoneiros. Cada um vive o seu drama.

Claro que este artigo será recheado de imagens porque não seria possível ficar descrevendo situações do trânsito precisas em palavras. Sendo assim, vamos buscar qual o segmento de lógica (se é que existe) para justificar esta nova redução no limite de velocidade para diminuir a “mortalidade” nas Marginais.

Pista livre para os abusos

São raros os momentos em que conseguimos trafegar pelas Marginais em vez de estacionar a céu aberto. São nestes momentos que as estatísticas da CET são elaboradas, então vamos entender um pouco melhor a base desta mortalidade.

Acidente na Marginal Tietê

Acidente na Marginal Tietê

Este primeiro acidente, acima, é um exemplo do que acontece nos raros momentos de liberdade nas pistas das Marginais. Claro, afinal, as pistas são largas, o asfalto é bom e as muretas estão lá apenas para atrapalhar. Será que este acidente ocorreu dentro dos limites antigos? Alguém acredita que os motoristas estavam trafegando entre 70 e 90 km/h ? Afinal, montar esta escultura não é tarefa muito simples. Não precisa ser um engenheiro para saber que a imprudência e o excesso de velocidade causaram este acidente e congestionaram toda a Marginal.

Acidente na Marginal Tietê

Acidente na Marginal Tietê

Este também não devia estar respeitando o limite de velocidade máxima da pista, ou alguém tem a ilusão de que um automóvel fica neste estado após um acidente a 70 km/h, considerando que esta é uma pista local?

Acidente na Marginal Tietê

Acidente na Marginal Tietê

Que tal este aqui acima? Será que se o limite de velocidade fosse os 50km/h de hoje, o acidente seria evitado?

Não adianta tentar se iludir e eu poderia ficar mostrando centenas de imagens aqui. Vamos usar um pouco de lógica e quem quiser e souber brincar com cálculos e física pode melhorar ainda mais, projetando a velocidade necessária para causar tais deslocamentos e destruições. Será que estes dados que fazem parte das estatísticas da CET fazem parte de quem anda dentro dos limites de velocidade das vias? Será que estes acidentes ocorreram entre 60 e 90km/h (antigos limites de velocidade das Marginais)? É claro que não!

Não é só velocidade

A velocidade não é o único vilão das estatísticas fatais. Existe a imprudência, o desrespeito, a ignorância, a falta de gestão pública e tantas outras que matam tanto quanto a velocidade.

  • Falar ao celular enquanto dirige é um dos maiores causadores de acidentes nas grandes metrópoles
  • Os indecisos e inconstantes que mudam de faixa a cada 50 metros causam muitos problemas, principalmente porque a maioria não utiliza a seta para sinalizar
  • Apressados e preguiçosos que pensam não ter problema em pegar aquele “trechinho” na contramão ou fazer aquela conversão proibida
  • Passar o semáforo vermelho pode matar até mesmo em baixas velocidades em um cruzamento
  • Dirigir embriagado ou sob efeito de entorpecentes
  • Buracos nas vias causam acidentes graves que podem causar mortes
  • Falta de iluminação e sinalização também estão entre os vilões que causam acidentes fatais

A redução resolve?

Não, infelizmente não resolve o problema. Vamos continuar com os acidentes fatais e as estatísticas crescendo porque o problema não é atacado em sua origem. Fica evidente o despreparo de quem é responsável pela elaboração das diretivas de trânsito e o interesse em aumentar a arrecadação com as multas. Afinal, qualquer descuido, facilmente passa desapercebido porque, quando não há engarrafamento, dirigir nesta velocidade é quase que dirigir em câmera lenta. Automóveis automáticos tendem a passar desta velocidade facilmente, obrigando o motorista a passar o tempo todo com o pedal do freio acionado. Outro grande problema e que até mesmo a OAB vem discutir, é que o automóvel polui mais nesta velocidade, trazendo grandes danos para a cidade e vai contra a necessidade primária do Rodízio Municipal no centro expandido.

Qual a solução?

A solução não é uma medida simples, mas um conjunto de medidas a serem tomadas pelas autoridades e pelos cidadãos em conjunto:

  • Implementar a Educação no Trânsito como uma disciplina obrigatória desde o Ensino Fundamental, incluindo na cultura do cidadão, desde criança, as boas práticas e ações para pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas e a convivência entre eles;
  • Criar punições mais severas para infratores no trânsito, tirando das ruas aqueles que representam uma ameaça à comunidade, caçando, definitivamente, suas habilitações;
  • O valor das multas devem ser tal que realmente faça as pessoas pensarem melhor antes de cometer uma infração. Valores pequenos não intimidam e apenas aumentam a arrecadação para os cofres públicos;
  • A certeza da aplicação da Lei é a segurança de que nenhum infrator ficará impune;
  • Maior fiscalização com a finalidade de corrigir e educar em vez de apenas arrecadar multas;
  • Vias sinalizadas, iluminadas e devidamente pavimentadas para a segurança de todos;
  • Engenharia de tráfego inteligente,  mais preocupada com a fluidez e não com o entroncamento (operação conta-gotas);
  • Maior fiscalização nas autoescolas e melhoria no curso, oferecendo não apenas condições de habilidade para operar o veículo como também preparar o motorista para diversas situações;
  • Nós precisamos ser mais cordiais nas ruas e avaliar melhor o que ocorre ao nosso redor;
  • A responsabilidade não é só do condutor de veículos automotores, mas de todos, inclusive dos pedestres que devem respeitar as sinalizações e compreender os problemas e necessidades do trânsito;

Certamente existem outras coisas a serem pontuadas mas se começarmos neste caminho, certamente teremos menos congestionamentos, menos acidentes, menos aborrecimentos e, claro, menos fatalidades. Nós, paulistanos, vamos acatar as regulamentações, por mais absurdas que sejam, mas somos inteligentes suficientes para saber que não estão preocupados com a redução das fatalidades. Querem nos fazer andar de bicicleta na principal avenida de uma das maiores metrópoles do mundo, querem nos fazer acreditar que 400km de asfalto pintado de vermelho é uma solução para o transporte público com qualidade de vida para quem tem que rodar uma média de 80km por dia para trabalhar de terno e ainda ir para a faculdade à noite. Querem que nós estejamos satisfeitos com medidas tacanhas para uma cidade que sustenta um país inteiro e não recebe 1/10 de investimento comparado com o que envia para o governo federal e, ainda assim, temos que achar engraçado sermos chamados de “coxinhas” pelo nosso prefeito que posta sua piada infame no Twitter enquanto come uma coxinha no boteco da cidade.

Sabe porque eu gosto de ser paulistano? Porque temos paciência e damos corda suficiente para os tolos se enforcarem.

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